A ajuda

2 jun

Para inaugurar meu espaço nesse blog falando sobre entretenimento, eu escolhi um livro que me marcou bastante nestes últimos meses. Quer dizer, é um livro, mas também virou filme. E também virou umas lágrimas minhas, mas isso deixa pra lá.

Eu não vou nem falar como as obras se chamam em português porque me envergonha um pouco. Parece coisa de Sessão da Tarde.

Tanto o livro quanto o filme se chamam, em inglês, The Help. E não, isso não significa A Ajuda. The Help é a maneira como as madames da alta sociedade de Jackson, Mississipi, chamavam a criadagem lá na década de 60. Esta cidade essencialmente agrícola dos Estados Unidos parecia manter os preceitos – e preconceitos – da escravatura mesmo depois do fim dela.

Ok, não era escravidão. Os empregados, todos negros, recebiam salário ($0,50 a hora), tinham horas limitadas de trabalho (das 6h até o horário que o casal voltasse de seus jantares beneficentes) e podiam pedir demissão (e morrer de fome).

Mas não vamos entrar na questão sociológica da coisa. Deixa eu explicar a história. Estava a sociedade de Jackson a viver sua vida maravilhosa, com sua criadagem sempre solícita quando começou a tomar forma o movimento dos direitos civis. Enquanto no resto do país crescia o movimento, em Jackson a esmagadora maioria era de conservadores e ainda queria a segregação: os negros podem ser felizes, desde que estejam bem longe dos caucasianos. Em resumo, o que já era ridículo ficou ainda mais absurdo. A única exceção era a jornalista Eugenia Freelan, também conhecida como Skeeter (no filme interpretada por Emma Stone).

A igualdade entre raças e os direitos das empregadas não eram suas únicas convicções ousadas e modernas. Aliás, o que eu acho de verdade é que o maior desejo de Skeeter era se auto-afirmar como mulher, desafiar sua mãe e, depois de uma adolescência marcada pela pressão de não ser como as outras meninas (bonita, delicada e obediente), provar a todos que era boa o suficiente.

Skeeter se enoja do sistema em que vive e do ciclo sem fim que enxerga: crianças brancas são criadas pelas domésticas negras enquanto suas mães estão muito ocupadas arrumando seus cabelos. Para depois crescerem e se tornarem patroas de outras empregadas negras, já que as suas próprias ficaram velhas, e darem continuidade a esse costume.

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Tomada pelo amor que sentia pela sua própria babá e pela vontade de crescer como jornalista e sair de Jackson, Skeeter começa a ouvir o lado das empregadas domésticas. Coletando suas histórias em um livro, Skeeter dá início a um questionamento do que está ou não certo na pequena cidade. Acho bem importante ressaltar a chamada do filme que fala “Change begins with a whisper” ou “A mudança começa com um sussurro”.  Isso porque toda a moral do filme é o impacto extraordinário que uma mulher comum gera ao simplesmente olhar para as coisas sob um ponto-de-vista diferente.

Eu poderia até contar o desfecho final da história aqui, que a graça não se perderia. Isso porque o melhor de tudo está no meio do livro, nos detalhes das histórias que te fazem rir, chorar, ficar tensa, revoltada e, por que não, convencida a mudar algumas coisas. Destaque indiscutível para a história de Minny, no filme interpretada pela vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, Octavia Spencer, e Celia, interpretada por Jessica Chastain.

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A adaptação de livro para filme não deixa nada a desejar. Aliás, é bem difícil ler sem imaginar Octavia como Minny, Emma como Skeeter e Viola Davis como Aibileen. Pode confiar.

E antes de me chamar de louca e me perguntar por que diabos eu coloquei o título do texto de A Ajuda, eu digo: leia o livro, veja o que Skeeter fez para as empregadas e, mais importante, o que elas fizeram para Skeeter.

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Livro

Histórias Cruzadas (ou The Help)

Autora: Kathryn Stockett

Editora: Amy Einhorn Books/Putnam

2009

 

 

 

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Filme

Histórias Cruzadas (ou The Help)

Diretor: Tate Taylor

Produzido por DreamWorks Pictures e distribuídos por Touchstone Pictures

2011

(Post por Jeana Mattei)

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