O culto ao tédio

16 jul

Talvez por falta de criatividade ou paciência, a minha sugestão de entretenimento de hoje não envolve nenhum consumo de informação. Ou pelo menos nenhum consumo significativo.

Sabe o que é? Por diversas vezes eu já fiquei nervosa e agoniada com a quantidade de coisas que eu gostaria de ler, assistir, prensenciar, experimentar e, por um motivo ou por outro, ainda não pude. Às vezes o motivo é tempo, às vezes o motivo é dinheiro, às vezes é porque ‘ainda não surgiu a oportunidade’. Mas por uma razão ou outra, basta eu entrar em uma mega livraria ou consultar o calendários de espetáculos do teatro ou mesmo ver a lista dos melhores blogs do ano, para a minha cabeça entrar em curto-circuito.

Quem convive diariamente comigo provavelmente já me viu fazendo listas: os filmes que quero ver até o fim do ano, os restaurantes que eu quero experimentar, os bares nos quais quero me alcoolizar… GENTE! Eu não tenho condições físicas, mentais ou financeiras de consumir todo o entretenimento que o mundo me oferece!

E em algum outro dia eu posso até falar sobre organização de agenda/finanças, dando exemplos de como é possível ser uma pessoa atualizada, alimentada, exercitada, trabalhando, mantendo uma vida social e, ainda assim, dormindo todas as horas de sono recomendadas pelos especialistas.

Mas hoje não. Hoje eu quero sugerir que vocês virem os melhores amigos do tédio. Ainda que só por uma noite. Ou umas 24 horas. Não mais do que isso, por mais ousado que você seja. Nesse espaço de tempo, fica estabelecido que você vai acordar tarde e, mesmo depois de acordado, vai ficar deitado por mais no mínimo meia hora, olhando para o teto e abraçando as cobertas. Aí você vai levantar, ficar de pijama (ou sabe-se lá como você dorme) e comer alguma coisa pronta. Fica proibida qualquer comida que demande mais de 5 minutos de esforço. E obviamente eu estou falando de almoço, pois o café da manhã foi cancelado. Aí você pode assistir um pouco de TV, mas não pode ficar escolhendo muito o canal. Ela só tem que ficar lá ligada, sem muita razão de existir. Se tiver um sol para se esticar, também está valendo. Se tiver alguém para conversar, converse. Converse sobre tópicos fúteis, como o clima ou o formato das nuvens. Só não me venha com nada muito profundo, nada que permita o apego, nada que provoque a reflexão. Durante esse período, a missão é apenas existir – não produzir, evoluir, ser uma pessoa melhor, agregar.

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E é por isso que o tédio só funciona por um curto espaço de tempo, caso contrário ele se agarra a você e torna difícil a separação. Ele vai ficando tão teu amigo que se transforma numa melancolia sem fim, numa depressão passageira, caso a pessoa esteja um pouco vulnerável. Agora se for com hora marcada para acabar, faz bem, desopila, refresca a sua lista de prioridades e te faz querer mais do que só existir.

Por fim, peço desculpas por este post cinza e murcho, mas em uma segunda-feira nublada, fria e preguiçosa, foi o máximo que consegui.

(Post por Jeana Mattei)

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