Quem se importa?

15 out

Olha eu de novo falando sobre colaboração/cooperação. Mas sabe o que é? Acho que numa cidade com 9 milhões de habitantes você acaba se sentindo mais sozinho do que nunca. E talvez por isso, começa a criar um certo interesse pela vida alheia – nenhuma vida em específico, eu me refiro àquela pessoa que você vê passando no metrô, falando uma lingua que você nunca ouviu antes; ou àquela mãe judia ortodoxa, com quatro filhos, se escabelando para manter todos caminhando em ordem.

Eu sempre gostei de observar esses ‘figurantes’ e, confesso, às vezes até gosto de prestar atenção na conversa alheia. Só que aqui, provavelmente por ter que passar mais tempo sozinha e ser diariamente obrigada a sair da minha zona de conforto, eu deixei de só me importar e comecei a pensar na minha capacidade (talvez poder seja uma palavra mais bonita) de mudar certas situações. Ou pelo menos deixar as coisas um pouco menos piores.

E, pelo que tenho conversado sobre isso, eu não sou a única. Esses dias mesmo uma amiga, também brasileira, chegou a dar seu telefone para uma mendiga. Sim, é verdade. Ela estava passando pela rua e a moça chorava loucamente. Ela parou e perguntou se estava tudo bem, para então ouvir a história da imigrante latina que tinha perdido o emprego, a casa e, mais recentemente, quebrado o braço e gastado uma fortuna com médico. Minha amiga, muito sensibilizada, ficou uns bons minutos conversando com ela e por fim ainda ofereceu seu número de telefone caso ela precisasse conversar (talvez não tenha ocorrido a ela que fica meio difícil pra uma mendiga fazer ligações, mas o que vale é a intenção).

E eu já perdi a conta de quantos músicos, comediantes, dançarinos, sósias, prodígios das mais diversas áreas, vieram me pedir uma ‘colaboração espontânea’ – seja dinheiro ou alguma coisa para comer, ou até um sorriso e um ‘good luck’ (aconteceu mesmo).

Aí neste último sábado, tinha um evento chamado New York Cares Day. É um grande mutirão onde cerca de 6 mil pessoas se dividem em grupos e vão limpar, organizar e embelezar escolas públicas em toda a cidade. Eu tive a felicidade e, é essa palavra mesmo, de participar desse projeto. Não foi sofrimento algum, não foi nada além da minha capacidade e, ainda, fui brindada com um abraço e um ‘muito obrigada por limpar minha escola’, vindo de uma menina da quarta série.

Aonde eu to indo com essa conversa toda? Nem sei. Provavelmente essas pequenas coisas não vão salvar o mundo, nem vão erradicar a pobreza e tantos outros males da vida moderna. Mas eu finalmente percebi que a figurante era eu, e fico bem feliz em dizer que, oficialmente, deixei de ser só uma espectadora. E para os Hardys da vida (lembram? ‘Oh céus, oh vida, oh azar’

 

eu tenho que ser bem cliché e citar Gandhi: “Se nós pudéssemos mudar a nós mesmos, as coisas no mundo também poderiam mudar. Quando uma pessoa muda sua própria natureza, muda também a atitude do mundo em relação a essa pessoa. Nós não precisamos esperar para ver o que os outros vão fazer”.

(post por Jeana Mattei)

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