O que o vento trouxe?

6 nov

Se você acompanhou as notícias dos últimos dias deve estar sabendo do furacão/tempestade/ciclone extra tropical/seja lá qual é o nome que os cientistas acabaram dando praquela porcaria.

Por mais que eu já tenha acompanhado de perto forças da natureza parecidas com essa (o Rio Grande do Sul parece que agenda uns dois ciclones por ano com São Pedro), essa foi a primeira vez que vi uma condição climática tomar proporções tão grandes.

E, me chamem de tia do elevador que puxa assunto sobre o clima, mas eu pude observar tantas coisas com esse tal de Sandy que queria muito dividir com vocês.

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A primeira delas se chama organização. Que me desculpem os patriotas, mas o Brasil realmente não está preparado para receber um evento deste porte. Dois dias antes do furacão alcançar a costa o estados de Nova York e New Jersey já estavam em estado de alerta. E aqui isso não significa só esperar a desgraça chegar. Aqui significa preparar os abrigos, hospitais, forças policiais e de trânsito, alertar e INSTRUIR a população que saiu para comprar água, comida e pilhas para a lanterna. Conforme os metereologistas atualizavam as informações elas eram repassadas para a população não para causar pânico, mas para indicar quais as melhores atitudes a serem tomadas.

Ainda no sábado, dia 27 de outubro, boa parte das pessoas recebeu (e cumpriu) as ordens de evacuação: aqueles em área de risco deixaram suas casas e foram para a casa de amigos e familiares ou, na falta destes, para abrigos organizados pela prefeitura. Não tive notícias de ninguém que ficou na rua, ou que não tinha para onde ir ou que morreu nos escombros da sua casa condenada.

Eu fui muito, muito sortuda. Aonde eu estava não houve sequer queda de luz. A água do rio chegou até a esquina da minha casa, mas com muita sorte eu e minhas coisas ficamos sequinhas.

Outras pessoas não tiveram a mesma sorte. Staten Island ficou devastada, parecendo um cenário de guerra mesmo. O bairro do Hoboken, em New Jersey, também ficou em frangalhos. Em Manhattan, foi o sistema de transporte que mais sofreu. Com a inundação, a parte ao sul da ilha ficou inacessível.

E eu não quero desdenhar do sofrimento das pessoas que perderam tudo, longe disso. Eu vi que foi feio. Mas eu acabo imaginando se isso tivesse acontecido em outro lugar (seja lá em Santa Catarina, no Haiti ou qualquer outro lugar) o quão pior não poderia ter sido. E aí eu fico pensando também até que ponto tragédias são apenas tragédias e até que ponto elas são falha humana. É difícil dizer, mas se só os fortes sobreviverão, melhor a gente se transformar em um deles, certo?

Mais uma vez batendo na mesma tecla: solidariedade. Estou impressionada com a movimentação das pessoas para se ajudarem. Eu não estou falando de campanha de Facebook e ‘clique aqui se você está com pena dessa pessoa que perdeu a casa’. Estou falando de gente encarando frio, chuva, vento e transporte quase nulo para atravessar a cidade e ajudar desconhecidos a limpar porão inundado e servir comida à noite na rua. Pessoas que tinham luz com plaquinhas na porta de casa dizendo “tenho luz, se quiser carregar seu telefone pode bater aqui”.

E uma última observação: considerem esse post uma ‘versão verdade dos fatos’ e depois eu paro de usar esse espaço como diário de viagem.  Eu não sei como exatamente as notícias foram dadas no Brasil, mas foi muito engraçado o timing da imprensa brasileira. No domingo, quando era dia de eleições no Brasil e as coisas pegavam fogo aqui, as notícias sobre o Sandy eram pequenas notas de rodapé fazendo pouco caso das previsões metereológicas.

Na terça e na quarta-feira, quando a poeira já estava baixando aqui e estávamos quase voltando à vida normal, comecei a receber ligações e mensagens e e-mails do povo dizendo para eu me cuidar, que estavam todos apavorados. Nada como ficar sem assunto após a apuração das urnas.

(Post por Jeana Mattei)

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