50 tons de raiva

29 nov

Parece um conto de fadas: Anastasia Steele, uma jovem (bem!) comum e virgem, conhece Christian Grey, empresário bilionário, lindo e de olhos acinzentados. Apaixonam-se instantaneamente e ele é (quase) o homem perfeito, não fosse pelo fato dele ser adepto ao sadomasoquismo (ou BDSM – Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo). Entre contrato e brinquedos, idas e vindas, negociações, recuos e avanços, o casal vai tentando alinhar paixão e limites. É essa a trama de “Cinquenta Tons de Cinza”, de E. L. James, livro que vem gerando assunto por onde passa. A publicação foi acusada de ser literatura rasa por alguns e ganhou o apelido de “porn from mommy“, por conta do romance que embala as cenas de sexo e sadismo. É o fenômeno literário do momento, já rendeu trilogia, e se encaminha para o cinema.

Mas. Direto ao ponto: que porcaria é essa de 50 tons de cinza?

Olha, eu não li a trilogia toda. Nem vou ler! Na verdade eu nem ao menos li o primeiro livro inteiro. Mas daria uma nota 6, de 10 (sendo bem generosa!). E não porque é ‘livro de menina’ ou ‘fútil’ como muitos cults podem justificar. É porque é ruim mesmo.

Mas, primeiro, vamos aos méritos: é o primeiro livro pornô soft que vende tantos exemplares e é discutido sem o menor tabu em revistas, páginas de Facebook e rodinhas de conversa. Pela primeira vez, meninas e mulheres estão lendo esse tipo de livro – e mostrando para as amigas. Sim, porque elas já liam antes, caro e ingênuo leitor. Homens também estão lendo (e, apesar dessa coisa chata de “e ai, gata, assina meu contrato?”), eu gosto de acreditar que é pelo fato de desejarem aprender mais sobre o que, realmente, importa para uma mulher – na cama e fora dela. Enfim, pessoas lendo e expondo seus desejos mais íntimos, sem medo de julgamentos. Mas, isso é tudo.

Porque assim… Cenas quentes por cenas quentes, quem lê a veterana Danielle Steel ou até a mais novata Candice Bushnell (Sex and the City, One Fifth Avenue) consegue ler sacanagem com mais qualidade do que nessa aclamada escala de cores. Sério, até Júlia e Sabrina, (aquele água-com-açúcar da banca de jornal, sabe?) não fica muito atrás, não.

Não sei, pode ser pura implicância, mas o meu ponto número um é que achei o livro realmente mal escrito. Foi sofrível chegar até o 8º capítulo. Ah, novidade (!), é só ai que o primeiro beijo ocorre. Pornô pesado, né?

Eu já tinha na minha cabeça o pré-conceito do que seria esse livro (levando com base o “esse livro mudou minha vida” de uma amiga), com pornografia forçada e, bem… tosco, mesmo. Parece que foi feito para agradar leitoras de Crepúsculo que passaram da idade de idolatrar os vampiros, ou àquelas que ainda estão na fila para o trem de Hogwarts. O livro não só não me surpreendeu, como me causou uma raiva enorme… Da personagem principal, e de toda essa idolatria a um livro bem mais ou menos.

Os 50 tons na verdade são três livros (de umas 500 páginas cada um), que narram as aventuras de Ana e Christian no mundo do sadomasoquismo. Ana – ou Anastasia Steele é jovem, bonita, universitária, virgem, (insira aqui características clichê) inocente, determinada, inteligente e, irritantemente insegura. E Christian Grey, nosso herói, é rico, jovem, absurdamente bonito, fiel, elegante, educado, misterioso e RICO – (é importante repetir essa última característica, pois é ela que faz um único livro não ser o suficiente).

Deixando de lado toda o meu desapontamento quanto aos personagens… Sinceramente, até a Stephanie Meyer escrever melhor que essa moça. As palavras soam erradas, os capítulos são extremamente descritivos, as frases parecem mal montadas. Em defesa dela, eu li em português, então talvez foi alguma coisa que se perdeu na tradução (tomara!).

Ponto número dois: e a semelhança com Twilight, ninguém percebeu? Oi? 1) Ela é ingênua, inocente, inexperiente e ele é o primeiro homem que mexe de verdade com ela. 2) Ele é rico, poderoso, lindo, experiente e perigoso pra ela. 3) Segundo regras inventadas por alguém, eles não deveriam estar juntos. Por isso a relação é meio secreta e cheia de mistério. Ok, se isso não for suficiente, releia a parte onde ele diz que ‘o cheiro dela é muito bom, muito doce e estou viciado em você’. Só falta o Grey brilhar no sol!

Ponto número três: nem sei. Apenas não gostei. Vale ler? Ah, vale. Mas não tenho vontade de terminar a trilogia. Talvez numa sala de espera de dentista, entre uma Caras de agosto e o “vale a pena ver de novo” na TV. Mas, eu não compraria.

E aconselho às meninas procurando ler umas coisas do tipo que procurem uns clássicos… Bem mais trabalhados na narrativa, talvez um pouco antiquados no perfil do homem em questão, mas ah, vamos chamar de um toque vintage pra fantasia. E, quanto às minhas amigas que recomendaram o livro, fico feliz que ele tenha mudado a vida de vocês (mesmo, eu fico!), mas… a vida de vocês tava bem chatinha. Vamos combinar, né?!

(Post por Fran Caye e Jeana Mattei, juntas!)

Mais? Veja 50 clichês e bobagens que permeiam “Cinquenta Tons de Cinza”

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Uma resposta to “50 tons de raiva”

  1. madeinipanema 16 de janeiro de 2013 às 9:37 am #

    Adorei seu post, concordo plenamente! Achei o livro muito ruim por um motivo óbvio: é um tema-tabu, que chama a atenção, é diferente, moderno, tinha tudo para prender a atenção, e pelo contrário: me dá sono! Como um tema desse pode dar sono? Só o livro sendo muito ruim mesmo! Além de totalmente mal escrito!
    Tem algum outro livro que voce recomenda?

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