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Citação

A realidade não…

22 jul

A realidade não precisa se desculpar.
Já, a expectativa, deveria.

(2013)

Quem se importa?

15 out

Olha eu de novo falando sobre colaboração/cooperação. Mas sabe o que é? Acho que numa cidade com 9 milhões de habitantes você acaba se sentindo mais sozinho do que nunca. E talvez por isso, começa a criar um certo interesse pela vida alheia – nenhuma vida em específico, eu me refiro àquela pessoa que você vê passando no metrô, falando uma lingua que você nunca ouviu antes; ou àquela mãe judia ortodoxa, com quatro filhos, se escabelando para manter todos caminhando em ordem.

Eu sempre gostei de observar esses ‘figurantes’ e, confesso, às vezes até gosto de prestar atenção na conversa alheia. Só que aqui, provavelmente por ter que passar mais tempo sozinha e ser diariamente obrigada a sair da minha zona de conforto, eu deixei de só me importar e comecei a pensar na minha capacidade (talvez poder seja uma palavra mais bonita) de mudar certas situações. Ou pelo menos deixar as coisas um pouco menos piores.

E, pelo que tenho conversado sobre isso, eu não sou a única. Esses dias mesmo uma amiga, também brasileira, chegou a dar seu telefone para uma mendiga. Sim, é verdade. Ela estava passando pela rua e a moça chorava loucamente. Ela parou e perguntou se estava tudo bem, para então ouvir a história da imigrante latina que tinha perdido o emprego, a casa e, mais recentemente, quebrado o braço e gastado uma fortuna com médico. Minha amiga, muito sensibilizada, ficou uns bons minutos conversando com ela e por fim ainda ofereceu seu número de telefone caso ela precisasse conversar (talvez não tenha ocorrido a ela que fica meio difícil pra uma mendiga fazer ligações, mas o que vale é a intenção).

E eu já perdi a conta de quantos músicos, comediantes, dançarinos, sósias, prodígios das mais diversas áreas, vieram me pedir uma ‘colaboração espontânea’ – seja dinheiro ou alguma coisa para comer, ou até um sorriso e um ‘good luck’ (aconteceu mesmo).

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O produto mais valioso

18 set

Logo na minha primeira semana em Nova York ouvi uma das frases que com certeza eu vou guardar enquanto morar aqui. A frase veio de uma professora de business que nos fez uma pergunta: qual a commodity mais valiosa de Manhattan? Pensei em petróleo, pensei em frutas e legumes, mas não pensei no essencial: ESPAÇO.

São 9 milhões de pessoas morando em uma ilha. Não é à toa que qualquer metro quadrado de qualquer espaço custa uma fortuna. Mas não é nem aí que eu quero chegar. Eu quero falar é de como escapar desse amontoamento de gente e qual o impacto que isso gera pra nós, pobres mortais que não podemos (ainda) comprar uma cobertura que tenha, de fato, um quarto, uma cozinha e uma sala separados – você achava que cozinha americana era uma coisa moderna? Não, meu bem, cozinha americana é um jeito prático de enfiar dois cômodos em um só e ainda dar uma cara gourmet pro negócio.

Bom, mas o tal impacto que eu estou falando se dá basicamente de duas formas: supervalorização de lugares abertos e excesso de critérios em lugares fechados.

O Central Park é sim uma coisa maravilhosa (eu ia dizer de Deus, mas você sabia que não tem absolutamente nada de natural nele? Tudo foi planejado e plantado e instalado pelas mãos humanas).  E claro que pra mim, que sempre sonhei morar em Nova York, as lágrimas de alegria quando o vi pela primeira vez tinham outro significado. Mas mesmo pras pessoas que sempre moraram aqui, o Central Park é uma das coisas mais valorizadas e respeitadas da ilha. Por que? Simples. É o oposto de todo o resto da cidade. É um dos poucos lugares no qual você consegue parar sem ser arrastado por uma multidão vestindo ternos e tailleurs. É o lugar onde você pode ser turista, atleta, hippie, dogwalker,  o que for. Eu diria que é uma parte essencial da cidade, não só pelos motivos óbvios de oxigenação e equilíbrio da camada de ozônio, mas pelos motivos subjetivos, de você poder parar alguns segundos dentro da cidade que nunca pára.

O segundo impacto que eu falei, sobre o excesso de critérios em lugares fechados, é na verdade uma coisa muito bizarra que acontece aqui. Em praticamente todas as casas noturnas, bares e, às vezes, até restaurantes é um processo seletivo de quem entra ou não. Como os lugares são pequenos, a entrada tem que ser muito seletiva. Sendo assim, dificilmente você paga para entrar em algum lugar. Mas você também dificilmente entra se não estiver bem vestida, bem maquiada e se não for muito simpática com o bouncer, ou ‘leão de chácara’ como algumas pessoas chamam. Não acho que tenha um critério pré-estabelecido, só acho que aquele indivíduo tem que ir com a sua cara. Em outros lugares do mundo provavelmente isso daria processo por discriminação e tal e coisa. Aqui é assim. E ou você aceita. Ou você aceita.

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Israel ama Irã | Não estamos prontos para morrer em sua guerra

3 set

Desde a Revolução Islâmica, de 1979, e o estabelecimento da República Islâmica, o Irã cortou todas as relações diplomáticas e laços comercias com Israel, recusando-se a reconhecê-lo como Estado. Mais recentemente, a tensão entre Irã e Israel tem crescido significativamente, percebendo a história de animosidade das duas nações rivais, em março deste ano, surgiu a campanha anti-guerra “Irã ama Israel” (que também é conhecida como “Paz e Amor”), o objetivo é trazer segurança mútua, paz e reconciliação entre os povos.

A iniciativa foi lançada por Ronny Edry e sua esposa Michal Tamir, moradores de Tel Aviv, que decidiram exprimir seus sentimento a respeito do conflito. Eles publicou um pôster no Facebook de uma foto com sua filha junto a mensagem: “Iranianos. Nós nunca bombardearemos seu pais. Nós amamos vocês.”. A reação foi imediata e a mensagem compartilhada por milhares de pessoas, em menos de dois dias, começaram a aparecer respostas do povo iraniano, como: “Meus amigos israelenses. Eu não odeio vocês. Eu não quero guerra. Amor e Paz.”.

 

A troca de mensagens pacifistas entre povos á beira de conflito ganhou repercussão mundial, em uma semana a fanpage recebeu quase um milhão de acessos, a maioria dos Estados Unidos e da Europa, onde foram criadas campanhas semelhantes.

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Rustrô Café Bar

21 ago

Temos novidades! Inaugurou a pouco tempo, em Passo Fundo – RS, o nosso querido Rustrô Café Bar.

Não conhece ainda? Eu morei por um tempo em Passo Fundo e sempre senti falta daquele lugar bacana, onde você pode ter uma reunião tranquila (sem ser incomodado, e tomando um cafezinho!) mas que também pode servir de lugar pra um happy hour com os amigos. É estranho pensar que algum lugar possa ser tão eclético? O Rustrô é!

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O que funcionar

13 ago

Ontem eu assisti a um filme de 2009, que já não é novidade, mas que por um motivo ou por outro acabava sempre deixando para depois. A primeira vez que tentei assistir à comédia intelectual Tudo pode dar certo (Whatever Works), de Woody Allen, eu dormi. Intelectual porque não é muito do tipo “HAHAHA”, é mais do tipo “ha ha, entendi esse sarcasmo.” E aproveito essa observação para falar sobre minha teoria de que todo entretenimento tem que ter um bom timing.

Digo isso porque muitas vezes a interpretação e a importância que damos a determinada obra está diretamente relacionada ao momento em que vivemos. Em outras palavras, você não quer ouvir sobre decepções amorosas quando está na lua de mel. E é por isso que gosto de dar uma segunda chance aos livros, filmes e afins. Às vezes fico feliz por dar essa segunda chance e, às vezes, fico me torturando pelo tempo desperdiçado. Mas acho que vale arriscar.

Quanto a “Tudo pode dar certo”, foi a primeira opção. Ainda que seja mesmo um pouco monótono, o filme traz todo o otimismo que eu estava precisando. Aliás, o título em português traduz bem esse otimismo, mas o título original resume melhor a essência do filme.

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O culto ao tédio

16 jul

Talvez por falta de criatividade ou paciência, a minha sugestão de entretenimento de hoje não envolve nenhum consumo de informação. Ou pelo menos nenhum consumo significativo.

Sabe o que é? Por diversas vezes eu já fiquei nervosa e agoniada com a quantidade de coisas que eu gostaria de ler, assistir, prensenciar, experimentar e, por um motivo ou por outro, ainda não pude. Às vezes o motivo é tempo, às vezes o motivo é dinheiro, às vezes é porque ‘ainda não surgiu a oportunidade’. Mas por uma razão ou outra, basta eu entrar em uma mega livraria ou consultar o calendários de espetáculos do teatro ou mesmo ver a lista dos melhores blogs do ano, para a minha cabeça entrar em curto-circuito.

Quem convive diariamente comigo provavelmente já me viu fazendo listas: os filmes que quero ver até o fim do ano, os restaurantes que eu quero experimentar, os bares nos quais quero me alcoolizar… GENTE! Eu não tenho condições físicas, mentais ou financeiras de consumir todo o entretenimento que o mundo me oferece!

E em algum outro dia eu posso até falar sobre organização de agenda/finanças, dando exemplos de como é possível ser uma pessoa atualizada, alimentada, exercitada, trabalhando, mantendo uma vida social e, ainda assim, dormindo todas as horas de sono recomendadas pelos especialistas.

Mas hoje não. Hoje eu quero sugerir que vocês virem os melhores amigos do tédio. Ainda que só por uma noite. Ou umas 24 horas. Não mais do que isso, por mais ousado que você seja. Nesse espaço de tempo, fica estabelecido que você vai acordar tarde e, mesmo depois de acordado, vai ficar deitado por mais no mínimo meia hora, olhando para o teto e abraçando as cobertas. Aí você vai levantar, ficar de pijama (ou sabe-se lá como você dorme) e comer alguma coisa pronta. Fica proibida qualquer comida que demande mais de 5 minutos de esforço. E obviamente eu estou falando de almoço, pois o café da manhã foi cancelado. Aí você pode assistir um pouco de TV, mas não pode ficar escolhendo muito o canal. Ela só tem que ficar lá ligada, sem muita razão de existir. Se tiver um sol para se esticar, também está valendo. Se tiver alguém para conversar, converse. Converse sobre tópicos fúteis, como o clima ou o formato das nuvens. Só não me venha com nada muito profundo, nada que permita o apego, nada que provoque a reflexão. Durante esse período, a missão é apenas existir – não produzir, evoluir, ser uma pessoa melhor, agregar.

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E é por isso que o tédio só funciona por um curto espaço de tempo, caso contrário ele se agarra a você e torna difícil a separação. Ele vai ficando tão teu amigo que se transforma numa melancolia sem fim, numa depressão passageira, caso a pessoa esteja um pouco vulnerável. Agora se for com hora marcada para acabar, faz bem, desopila, refresca a sua lista de prioridades e te faz querer mais do que só existir.

Por fim, peço desculpas por este post cinza e murcho, mas em uma segunda-feira nublada, fria e preguiçosa, foi o máximo que consegui.

(Post por Jeana Mattei)

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